Aos 80 anos de idade, tudo indicava que 2008 marcaria o fim de uma era. O Globo de Ouro foi reduzido a uma ninharia, uma simples conferência de imprensa e se tornou ainda mais irrelevante, a Vanity Fair cancelou sua famosa festa onde o glamour competia em pé de igualdade com o frou-frou dos longos vestidos de gala. A longa greve de roteiristas era um pesadelo interminável. Sim, o Oscar morria lentamente... Agonizava. Sofria. Suspirava. Mas afinal foi só um susto...
Será?
Houve uma cerimônia de premiação. Houve astros e estrelas. Houve Oscars! Mas foi um ano atípico. Estranho. Soturno. Os indicados estampavam um diagnóstico terminal, repletos de filmes brutais e niilistas. Foi um Oscar inóspito. Sem esperança. Onde os fracos não tinham vez.
Mas ontem tiveram. O filme dos irmãos Coen arrebatou quatro estatuetas (Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado e Ator Coadjuvante) e Hollywood mostrou seu lado mais escuro, o que é atípico. ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ e SANGUE NEGRO (Melhor Ator e Fotografia) são filmes que habitualmente não chegam tão longe num prêmio como o Oscar. São filmes cult demais, reduto de um prestígio autoral focado num cinema que vai além do mérito cinematográfico, das bilheterias, do glamour. São filmes que expõem o lado mais sórdido da sociedade. Seus segredinhos mais sujos. São filmes condenados à segregação.
Exceto esse ano... Esse ano é deles que se falou. Houve espaço para psicopatas assassinos vingativos ex-strippers. E até um filme "pequeno" e tenso como CONDUTA DE RISCO, obra de artesão, de roteirista-relojoeiro, que confirmou Tilda Swinton com melhor atriz coadjuvante teve espaço. Reparação? Isso é curioso... DESEJO E REPARAÇÃO (Melhor Trilha Musical) foi figurante numa festa onde a tradição não tinha vez.
Esse foi o Oscar mais forte de todos os tempos e também o mais intelectual (Vide as escassas bilheterias). Mesmo que DESEJO E REPARAÇÃO e JUNO (Melhor Roteiro Original) estivessem lá para provar o contrário, o Oscar 2008 foi o mais liberal que a Academia consegue ser. Justamente o avesso de sua história.
ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ contrapõe dois mundos, dois sistemas - a nostalgia de um tempo em que havia valores, representada por Tommy Lee Jones, e o sangue frio amoral, sem explicação, do assassino interpretado por Javier Bardem. É um mundo inóspito, este, e também aqui se olha a paisagem como se fosse a origem do mal. Sistematicamente esnobado pela Academia (Houve um Oscar em 1997 pelo Roteiro de FARGO, nada mais), os Coen assinam aqui o seu filme mais intimidatório, sem a habitual bóia afetuosa que costumam estender às suas personagens: Aqui não há fuga possível.
Independentemente do que mudou, o Oscar permaneceu como instrumento útil para medir a temperatura americana. Os filmes indicados simplesmente refletiram a sobriedade dos tempos atuais. Mesma sobriedade estampada no tapete vermelho, em vestidos negros - uma forma de dizer que a América, ou o mundo, mudou tanto que a Academia se limitou a espelhar isso.
Outra hipótese, menos romântica, mas talvez mais plausível, é que o Oscar 2008 é uma pequena amostra do novo ecossistema de Hollywood. Os cinco filmes indicados são produções independentes. Na prática, não se trata de um bando de outsiders, porque continuam a ter os grandes estúdios por detrás. São divisões "especializadas" da Paramount, Fox e Warner que tratam da sua comercialização, e assim se beneficiam do melhor dos dois mundos.
Curioso que o Oscar se beneficiou desse raciocínio literalmente. Das 24 categorias, 11 Oscars foram para o velho mundo. O Oscar falou francês (Melhor Atriz, Curta-Metragem e Maquiagem); italiano (Melhor Trilha Musical e Direção de Arte); espanhol (Melhor Ator Coadjuvante); austríaco (Melhor Filme Estrangeiro) e até inglês, mas com toda pompa dos britânicos (Melhor Ator, Atriz Coadjuvante, Canção e Curta de Animação).
Aos 80 anos, ironicamente celebrando o glamour e o brilho. O Oscar 2008 viu a marca da maldade e gostou. E premiou. Sem brilho, como a situação e a sabedoria assim prescrevem.
25.2.08
Oscar Negro
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Vermelho e preto imperam em noite pouco criativa e figurinos sem escândalos
O preto e o vermelho imperaram na noite de ontem no tapete do Oscar 2008, em noite de vestidos pouco criativos e sem escândalos.
A modelo Heidi Klum foi uma das primeiras a chegar, com seu figurino de gala clássico, da cor de sangue. As atrizes Helen Mirren (A RAINHA), Anne Hathaway (O DIABO VESTE PRADA) e Katherine Heigl (da série "Grey's Anatomy" e do filme VESTIDA PARA CASAR) foram outras das que seguiram a cor do tapete.
Entre as mulheres de preto, Tilda Swinton, vencedora do prêmio de atriz coadjuvante por CONDUTA DE RISCO, optou por um vestido de um ombro só, com excesso de tecido e corte grego.A grávida Nicole Kidman apareceu com a mesma cor, em um vestido clássico e discreto, como Ellen Page e Jennifer Garner (JUNO).
Um dos trajes mais excêntricos ficou a cargo de Diablo Cody, 29, a ex-stripper que venceu o prêmio de roteiro original por JUNO. De cabelos curtos e franja pretos, forte batom vermelho, chamava mais a atenção a estampa de onça do seu vestido folgado.
Outra que marcou o tapete foi Marion Cotillard (melhor atriz por PIAF), que parecia perseguir o "look" de uma sereia (ou de um peixe) em seu vestido cheio de escamas. Grávida, Cate Blanchett também se destacou, com vestido delicado, em tom violeta.
O troféu "escorregada" ficou com Rebecca Miller, que chegou com Daniel Day-Lewis (SANGUE NEGRO) e um sapato de zebra dando suporte a uma saia de renda e um corpete pretos, preso com laços vermelhos.
Por Cristina Fibe - Folha de São Paulo
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Chuva e metas ecológicas dão o tom no Oscar
A chuva que castigou Los Angeles durante todo o domingo obrigou algumas estrelas a mudarem, no último minuto, o modelito que usariam durante o desfile pelo tapete vermelho, antes da entrada no Kodak Theatre. Embora nenhuma confesse nem sob tortura ter seguido tal estratégia, especialistas em moda garantem que o mau tempo desencorajou o uso de vestidos brilhantes demais - a falta da luz do sol ofuscaria alguns efeitos, o que provocaria uma importante perda de pontos no quesito "causar impressão" na passarela. Afinal, como nem todos saíram da festa com uma estatueta debaixo do braço, nada melhor que marcar presença no tapete vermelho.
A determinação de aparecer a todo custo foi seguida por todos que acompanharam a chegada das estrelas - repórteres de diversos países pareciam fazer concorrência direta com os atores, tal o esmero (ou seria exagero?) com que se vestiram e armaram o penteado. O Brasil chamou atenção com a presença da equipe do programa Pânico na TV: o repórter Vesgo colocou uma espécie de gravata amarela amarrada na cabeça, o que chamava atenção tanto quanto pelas perguntas inusitadas.
Acompanhando a distância todo o brilho mundano, executivos do cinema estavam preocupados com outro assunto. Os principais prêmios do Oscar ainda não tinham sido entregues na noite de ontem e uma discussão já dominava os bastidores: teriam os blockbusters, aqueles filmes que arrastam verdadeiras multidões às salas, perdido seu prestígio? Afinal, em um passado não tão distante, longas como TITANIC e O SENHOR DOS ANÉIS não apenas estouravam nas bilheterias como abocanhavam uma boa quantidade de indicações no Oscar. Na cerimônia deste ano, porém, os dois filmes com mais indicações (ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ e SANGUE NEGRO), se somadas suas arrecadações, não chegavam perto nem da metade conquistada, por exemplo, por HOMEM ARANHA 3, cuja bilheteria já ultrapassa os 330 milhões de dólares e não foi finalista em nenhuma categoria do Oscar.
Os blockbusters continuam necessários, mas a tendência, segundo especialistas, é o surgimento de filmes que se tornam vagarosamente um sucesso de bilheteria. Todos os estúdios já têm um departamento responsável por projetos de baixo orçamento(ou seja, normalmente abaixo de 50 milhões de dólares) que estão à caça do novo JUNO ou do novo PEQUENA MISS SUNSHINE.
A trajetória já é conhecida: primeiro, o filme desperta a atenção da crítica que, ao elogiá-lo, atrai uma parcela maior de público. Se o longa conquista algumas indicações para o Oscar, sua bilheteria aumenta consideravelmente até o dia da cerimônia, o que já pode considerá-lo um sucesso, mesmo que não leve nenhuma estatueta dourada. O passo final (e consagrador) é conquistar uma boa renda com as vendas em DVD.
"Antigamente, o Oscar apenas coroava o final dessa trajetória", comentou Tom Ortenberg, presidente da Lionsgate Filme, que venceu o Oscar de melhor filme de 2006 com CRASH. Em entrevista ao jornal USA Today, Ortenberg afirmou que, nos últimos dez anos, mais que com a conquista um Oscar, o sucesso do filme já está praticamente garantido se ganhar alguma indicação. "É o momento que o longa ganha notoriedade internacional."
O segredo está em apostar na diferenciação. Ou seja, ao lado dos blockbusters, o mercado oferece espaço também para filmes que caem no gosto de um determinado tipo de público. Não apenas um longa para o qual todos correm para ver, mas diversos filmes que trazem uma variedade de tendências.
A diversidade, portanto, é o assunto da vez. E a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas estendeu isso à sua maior premiação. O biodiesel, tão aclamado pelo governo brasileiro como uma fonte saudável de energia, foi utilizado na cerimônia de ontem. "Queremos que a festa seja cada vez mais ecologicamente correta", disse Sid Ganis, presidente da Academia. Para isso, a entidade contou com a assessoria de uma ong, que indicou as soluções mais práticas.
Assim, o biodiesel foi utilizado nos geradores que forneceram energia para o trabalho da imprensa e para a iluminação do tapete vermelho, por onde as estrelas passaram a caminho do Kodak Theatre.
Outra medida foi a utilização da energia eólica. Com o auxílio do Departamento de Água e Energia de Los Angeles, a transmissão da cerimônia e do tapete vermelho consumiu 100% da energia conseguida com a força dos ventos.
Ganis lembrou ainda dos automóveis que serviram os envolvidos na cerimônia - a maioria utilizou carros não emissores de hidrogêneo na atmosfera. Também todo papel utilizado, especialmente o dos envelopes que contêm o nome dos vencedores, tinham ao menos 30% de material reciclado.
Finalmente, o cardápio oferecido aos convidados, antes, durante e depois da cerimônia, foi todo servido por material biodegradável ou reutilizável. "Acho que demos um grande passo no caminho do uso consciente de energia", disse Ganis. "No ano passado, a única medida foi diminuir a quantidade de papel consumido."
Por Ubiratan Brasil (Estado de São Paulo)
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Os Oscars 2008

Melhor Filme
ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ | Paramount Classics
Melhor Diretor
Ethan & Joel Coen | ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ
Melhor Ator
Daniel Day-Lewis | SANGUE NEGRO
Melhor Atriz
Marion Cotillard | PIAF
Melhor Ator Coadjuvante
Javier Bardem | ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ
Melhor Atriz Coadjuvante
Tilda Swinton | CONDUTA DE RISCO
Melhor Roteiro Original
JUNO | Diablo Cody
Melhor Roteiro Adaptado
ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ | Joel Coen & Ethan Coen
Melhor Filme Estrangeiro
OS FALSÁRIOS | Áustria
Melhor Filme de Animação
RATATOUILLE | Walt Disney
Melhor Documentário
TAXI TO THE DARK SIDE
Melhor Direção de Arte
SWEENEY TODD | Dante Ferretti & Francesca Lo Schiavo
Melhor Fotografia
SANGUE NEGRO | Robert Elswit
Melhor Edição
O ÚLTIMATO BOURNE | Christopher Rouse
Melhor Figurino
ELIZABETH: A ERA DO OURO | Alexandra Byrne
Melhor Maquiagem
PIAF | Didier Lavergne & Jan Archibald
Melhor Trilha Musical
DESEJO E REPARAÇÃO | Dario Marianelli
Melhor Canção
“Falling Slowly” | ONCE
Melhor Edição de Som
O ÚLTIMATO BOURNE | Karen Baker Landers & Per Hallberg
Melhor Mixagem de Som
O ÚLTIMATO BOURNE | Scott Millan, David Parker & Kirk Francis
Melhor Efeitos Visuais
A BÚSSOLA DE OURO | Michael Fink, Bill Westenhofer, Ben Morris and Trevor Wood
Melhor Curta-Metragem
THE MOZART OF THE PICKPOCKETS | Philippe Pollet-Villard
Melhor Animação em Curta-Metragem
PETER & THE WOLF | Suzie Templeton & Hugh Welchman
Melhor Documentário em Curta-Metragem
FREEHELD
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24.2.08
Mundo Oscar 2008 | Previsões Finais
80º Annual Academy Awards
Melhor Filme
ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ | Paramount Classics
Alternativa: SANGUE NEGRO | Paramount Vantage Pictures
Melhor Diretor
Ethan & Joel Coen | ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ
Alternativa: Paul Thomas Anderson | SANGUE NEGRO
Melhor Ator
Daniel Day-Lewis | SANGUE NEGRO
Alternativa: George Clooney | CONDUTA DE RISCO
Melhor Atriz
Julie Christie | LONGE DELA
Alternativa: Marion Cotillard | PIAF
Melhor Ator Coadjuvante
Javier Bardem | ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ
Alternativa: Casey Affleck | O ASSASSINATO DE JESSIE JAMES...
Melhor Atriz Coadjuvante
Amy Ryan | MEDO DA VERDADE
Alternativa: Cate Blanchett | NÃO ESTOU LÁ
Melhor Roteiro Original
JUNO | Diablo Cody
Alternativa: CONDUTA DE RISCO | Tony Gilroy
Melhor Roteiro Adaptado
SANGUE NEGRO | Paul Thomas Anderson
Alternativa: ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ | Joel Coen & Ethan Coen
Melhor Filme Estrangeiro
POST MORTEM | Polônia
Alternativa: OS FALSÁRIOS | Áustria
Melhor Filme de Animação
RATATOUILLE | Walt Disney
Alternativa: PERSEPÓLIS | Sony Pictures Classics
Melhor Documentário
NO END IN SIGHT
Alternativa: SOS SAÚDE
Melhor Direção de Arte
SANGUE NEGRO | Jack Fisk & Jim Erickson
Alternativa: SWEENEY TODD | Dante Ferretti & Francesca Lo Schiavo
Melhor Fotografia
SANGUE NEGRO | Robert Elswit
Alternativa: ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ | Roger Deakins
Melhor Edição
ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ | Roderick Jaynes
Alternativa: O ÚLTIMATO BOURNE | Christopher Rouse
Melhor Figurino
DESEJO E REPARAÇÃO | Jacqueline Durran
Alternativa: SWEENEY TODD | Colleen Atwood
Melhor Maquiagem
PIAF | Didier Lavergne & Jan Archibald
Alternativa: NORBIT | Rick Baker & Kazuhiro Tsuji
Melhor Trilha Musical
DESEJO E REPARAÇÃO | Dario Marianelli
Alternativa: O CAÇADOR DE PIPAS | Alberto Iglesias
Melhor Canção
“Falling Slowly” | ONCE
Alternativa: "Raise It Up” | O SOM DO CORAÇÃO
Melhor Edição de Som
TRANSFORMERS | Ethan Van der Ryn & Mike Hopkins
Alternativa: O ÚLTIMATO BOURNE | Karen Baker Landers & Per Hallberg
Melhor Mixagem de Som
TRANSFORMERS | Kevin O’Connell, Greg P. Russell & Peter J. Devlin
Alternativa: ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ | Skip Lievsay, Craig Berkey, Greg Orloff & Peter Kurland
Melhor Efeitos Visuais
TRANSFORMERS | Scott Farrar, Scott Benza, Russell Earl and John Frazier
Alternativa: A BÚSSOLA DE OURO | Michael Fink, Bill Westenhofer, Ben Morris and Trevor Wood
Melhor Curta-Metragem
AT NIGHT | Christian E. Christiansen & Louise Vesth
Alternativa: THE TONTO WOMAN | Daniel Barber & Matthew Brown
Melhor Animação em Curta-Metragem
MY LOVE | Alexander Petrov
Alternativa: PETER & THE WOLF | Suzie Templeton & Hugh Welchman
Melhor Documentário em Curta-Metragem
FREEHELD
Alternativa: SARI´S MOTHER
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Marcadores: OSCAR 2008
Mundo Oscar 2008 | Filme
Há pelo menos dois grandes favoritos nesta categoria. Um deles, cercado de um pouco de badalação, sai na frente. ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ, de Ethan & Joel Coen, correm na dianteira, com uma ligeira vantagem. O longa já foi eleito o melhor pelo Sindicato dos Produtores (PGA Awards) e dos Diretores (DGA Awards). Tradicionalmente, o DGA Awards coincide com a escolha da Academia, visto que grande parte dos votantes do Oscar é a mesma do DGA Awards.
Na trilha que leva ao Oscar de Melhor Filme, ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ parece estar no caminho certo. Mas pesa contra, o fato de ser uma produção nebulosa, com cenas violentas, além de ser de uma dupla de diretores anticonvencional e independente demais para o gosto da Academia. É aí que a saga de um homem obcecado pelo petróleo galopa bem de perto. SANGUE NEGRO, de Paul Thomas Anderson, também tem sido lembrado nas grandes premiações. Entre elas, o Prêmio da Crítica e dos jornalistas de Los Angeles. Contudo, seu diretor não tem obtido muito prestígio junto aos especialistas.
Já o britânico DESEJO E REPARAÇÃO, de Joe Wright, tem na bagagem um Globo de Ouro de Melhor Filme. O que em qualquer outra edição poderia parecer um trunfo – já que há quem considere o Globo de Ouro uma grande prévia da maior premiação do cinema –, dessa vez não passa de estatística. O longa britânico sequer figurou entre os indicados nas premiações dos sindicatos dos produtores, diretores, atores e roteiristas, origem dos votos para a escolha dos vencedores do Oscar. Dessa forma, levar a tão sonhada estatueta parece difícil para os britânicos.
Corre mais por fora ainda CONDUTA DE RISCO, do diretor estreante Tony Gilroy. Apesar de ter sido bem recebido pelo público e crítica, tem em George Clooney seu único ponto forte diante das premiações. Mas, ao que tudo indica, a produção não deve atrapalhar o duelo entre o filme dos irmãos Coen e da produção “petroleira” de Paul Thomas Anderson. Fecha a lista dos concorrentes o adolescente e cult JUNO. O drama, sobre uma jovem grávida, parece estar na disputa mais para fazer número do que para tirar votos dos favoritos.
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Marcadores: CONTENDERS 2008, FILME, OSCAR 2008, PICTURE
22.2.08
Mundo Oscar 2008 | Atriz

Julie Christie
LONGE DELA
Certamente, jamais passou pela cabeça da austera corte inglesa que a filha de um texano com uma australiana pudesse, um dia, torna-se a rainha Elizabeth. O oposto do diretor Shekhar Kapur, que viu na atriz Cate Blanchett a fórmula sob medida para a monarca. E, pelo visto, ele acertou! Em 1998, com o filme ELIZABETH, o paquistanês consagrou sua musa com uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Este ano, convenceu os 5824 membros da Academia que a loira merecia voltar à disputa.

Marion Cotillard
PIAF
Cate também já levou um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por interpretar um ícone do cinema: a atriz Katharine Hepburn, no filme O AVIADOR, de Martin Scorsese, em 2005. Desta vez, recebeu duas indicações ao Oscar - Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante, por ELIZABETH: A ERA DE OURO e NÃO ESTOU LÁ, respectivamente. Mas a disputa torna-se interessante quando Julie Christie pousa na lista das divas. Essa última fez todo mundo sofrer ao interpretar uma mulher com Mal de Alzheirmer em LONGE DELA. Papel, por sinal, que lhe rendeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz.

Ellen Page
JUNO
Os membros também destacaram o brilho de Laura Linney. Um justo reconhecimento a uma das carinhas mais conhecidas de Hollywood - SSOBRE MENINOS E LOBOS (2003). Indicada por interpretar uma simpática ruiva em A FAMÍLIA SAVAGE, de Tamara Jenkins, a atriz mostrou talento. No entanto, ela passou batido na turbulenta premiação do Globo de Ouro, em janeiro. Foi a única a não receber nenhuma indicação.

Laura Linney
A FAMÍLIA SAVAGE
A francesa Marion Cotillard também está na disputa pela estatueta por sua atuação em PIAF. Regida sob a bela direção de Olivier Dahan, a atriz, de 32 anos, dá voz a Édith Giovanna Gassion em um misto de documentário e ficção. Cotillard já foi homenageada com um César de Melhor Atriz Coadjuvante, por ETERNO AMOR (2004), e duas indicações ao César de Melhor Revelação Feminina... Enfim, uma alegoria de reconhecimentos que, se levados em consideração, podem anular a novata Ellen Page - que aos tímidos 21 anos foi indicada pela comédia JUNO. Mas, resultado à parte, apenas o fato de ser nomeada pela Academia já é uma honra para a moça.

Cate Blanchett
ELIZABETH: A ERA DO OURO
Por Erick Araújo - Portal Uai
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Marcadores: ACTRESS, ATRIZ, CONTENDERS 2008, OSCAR 2008
Mundo Oscar 2008 | Ator
Os indicados dessa categoria revelam um pouco da postura adotada pelos membros da Academia nos últimos anos. Sempre tachados de serem tradicionalistas e protegerem certos atores – Tom Hanks que o diga –, os responsáveis por eleger as listas têm se mostrado mais dispostos a prestaram atenção aos filmes. Nesta edição, os cinco concorrentes a estatueta de Melhor Ator merecem mesmo participar da maior premiação do cinema mundial.

Daniel Day-Lewis
SANGUE NEGRO
Não que entre os nomeados não haja figurões. Afinal, George Clooney, Daniel Day-Lewis, Johnny Depp ou Tommy Lee Jones não são novatos nesta arte. Pelo contrário. O menos rodado entre eles é Viggo Mortensen, indicado pelo ainda pouco badalado SENHORES DO CRIME.

George Clooney
CONDUTA DE RISCO
Contudo, mesmo entre as figuras mais festejadas de Hollywood, um quê de novidade parece dar o tom na disputa. Seja pela trajetória percorrida pelo ator ou pelas temáticas dos filmes pelos quais foram indicados. E é por essa razão que nomes conhecidos como os de George Clooney e Tommy Lee Jones trazem algo de novo para a cerimônia: ambos são estreantes nessa categoria.

Johnny Depp
SWEENEY TODD
Sempre trilhando a tênue linha entre o papel de galã e o de canastrão, Clooney convence no pele do ex-promotor público Michael Clayton em CONDUTA DE RISCO. Já Jones, em NO VALE DAS SOMBRAS, presenteia o público com uma interpretação sóbria num filme áspero para os padrões americanos. Uma indicação que, por si só, já pode ser considerada como um prêmio de reconhecimento à sólida carreira do ator.

Tommy Lee Jones
NO VALE DAS SOMBRAS
Ignorado durante boa parte de sua carreira, Johnny Depp coleciona sua terceira indicação nos últimos cinco anos. Desta vez, com sua interpretação em SWEENEY TODD. No filme que marca mais um encontro do ator com o diretor Tim Burton, Depp aparece ainda mais gabaritado – já que foi eleito pelos críticos do Globo de Ouro como Melhor Ator em Comédia. Com mais um personagem esquisitão, não seria espanto se o ator levasse sua primeira estatueta.

Viggo Mortensen
SENHORES DO CRIME
Mas, se houver justiça no mundo, tal título pertence a Daniel Day-Lewis, pelo papel do ermitão produtor de petróleo em SANGUE NEGRO. Ganhador do Oscar em 1990, com MEU PÉ ESQUERDO, Lewis já foi indicado outras duas vezes nessa categoria, por GANGUES DE NOVA YORK e EM NOME DO PAI. Como Deep, ele também traz na bagagem o prêmio no Globo de Ouro, na categoria Melhor Ator de Drama. E, apesar de todo tom renovado que a Academia faz questão de dar à cerimônia, o Oscar 2008 de Melhor Ator deve retornar às mãos de um velho conhecido.
Por Erick Araújo - Portal Uai
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Marcadores: ACTOR, ATOR, CONTENDERS 2008, OSCAR 2008
21.2.08
Show de Prêmios
Não é só no Oscar que rola prêmios... Diversos sites e portais estão testando os conhecimentos dos internautas. A brincadeira vale centenas de DVDs, Tvs LCD ou cinema grátis pelo ano inteiro. Ficou interessado? Então teste seus conhecimentos nos links abaixo:
E conforme eu for tomando conhecimento de outras promoções, eu atualizo esse post...
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Marcadores: OSCAR 2008, PROMOÇÕES
Mundo Oscar 2008 | Atriz Coadjuvante

Cate Blanchett
NÃO ESTOU LÁ
Entre as mulheres, não há como negar que todas as atenções na cerimônia do Oscar estarão voltadas para uma australiana de 38 anos, de pele muito clara, olhos grandes e cabelos ruivos. Cate Blanchett conseguiu a façanha de seduzir os críticos da Academia em dois filmes, o que lhe rendeu o improvável privilégio de figurar em duas categorias: Melhor Atriz, por sua segunda interpretação da rainha Elizabeth, e Melhor Atriz Coadjuvante, pela corajosa interpretação de Bob Dylan, na criativa cinebiografia NÃO ESTOU LÁ.

Amy Ryan
MEDO DA VERDADE
O prestígio da australiana com a Academia não vem de agora. Cate Blanchett já tem uma estatueta dourada. Em 2005, faturou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por interpretar a atriz Katharine Hepburn no filme O AVIADOR. O curioso é que, agora, ela está na mesma categoria também por viver no cinema um personagem da vida real, o mito da música americana Bob Dylan. Será que o resultado será o mesmo? No Globo de Ouro, considerado por todos como a prévia do Oscar, foi.

Ruby Dee
O GÂNGSTER
Porém, os mais céticos dizem que as duas indicações podem prejudicar Blanchett, que, em tese, é favorita como coadjuvante. Os votos podem se dividir e ela pode acabar de mãos vazias em ambas as categorias...

Saoirse Ronan
DESEJO E REPARAÇÃO
Caso Blanchett fique mesmo com o título de hors concours, a Academia abriria caminho para as demais concorrentes à Melhor Atriz Coadjuvante. Nesse caso, Amy Ryan desponta como a principal favorita. Outra que merece atenção é a jovem americana Saoirse Ronan, que faz dueto agradável em DESEJO E REPARAÇÃO com a protagonista Keira Knightley. Já a inglesa Tilda Swinton, estreante no Oscar, corre muito por fora pela atuação de CONDUTA DE RISCO. Mas a grande surpresa da categoria, até mesmo por ter sido indicada, é a experiente atriz Ruby Dee. Não por sua atuação – longe disso, ela está ótima em O GÂNGSTER –, mas pelo curtíssimo tempo em cena na película.

Tilda Swinton
CONDUTA DE RISCO
Por Erick Araújo - Portal Uai
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Countdown to the Oscars!
Confira no You Tube, o video oficial do Nominees Luncheon da 80ª Edição do Academy Awards.
Clique Aqui!
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Marcadores: OSCAR 2008
Mundo Oscar 2008 | Ator Coadjuvante

Javier Bardem
ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ
Em tese, o Melhor Ator ou Atriz Coadjuvante prestigia aqueles que teriam um papel secundário na película. Contudo, no final das contas, alguns acabam roubando a cena. Entre os cinco indicados desta edição, pelo menos dois deles se enquadram nessa definição: o espanhol Javier Barden, por ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ, e Philip Seymour Hoffman, por JOGOS DO PODER.

Casey Affleck
O ASSASSINATO DE JASSIE JAMES PELO COVARDE ROBERT FORD
Com ajuda de uma caracterização impecável, Javier Barden está ótimo na nova produção dos irmãos Coen. Na pele do matador Anton Chigurh, ele atrai todas as atenções, fazendo com que o protagonista James Broslin pareça mais do que um mero figurante. Unânime entre a crítica especializada, Barden venceu a categoria no Globo de Ouro e no Guild dos Atores contra praticamente os mesmos concorrentes do Oscar. Assim, desfila com certo favoritismo e tem tudo para repetir o desempenho em Los Angeles no próximo domingo (24).

Tom Wilkinson
CONDUTA DE RISCO
Outro candidato forte é o americano Phillip Seymour Hoffman, que já tem uma estatueta como Ator por CAPOTE. Em JOGOS DO PODER, Hoffman consegue um feito: ofuscar a atuação de um dos mais prestigiados atores americanos: Tom Hanks. Apesar disso, o Oscar recente é um fardo na disputa, tornando-o praticamente um azarão.

Hal Holbrook
NA NATUREZA SELVAGEM
Estreando no Oscar, o ator Casey Affleck é o grande destaque do filme O ASSASSINATO DE JASSIE JAMES PELO COVARDE ROBERT FORD. À sombra de Brad Pitt, ele se sai bem interpretando o vilão de um filme que conseguiu transformar o maior bandido da história dos Estados Unidos quase num mocinho. Numa atuação contida e sufocada, Affleck é o único candidato que pode ameaçar o Oscar de Bardem.

Philip Seymour Hoffman
JOGOS DO PODER
Com um favoritismo tão claro para Barden, a Academia pelo menos pôde prestar uma homenagem a dois atores experientes de Hollywood. Apesar de poucas chances de levarem a estatueta, Hal Halbrook, pelo sensível NA NATUREZA SELVAGEM, e Tom Wilkinson, que divide as atenções com George Clooney em CONDUTA DE RISCO, já garantem seu lugar na história pela indicação na 80ª edição da maior festa do cinema.
Por Erick Araújo - Portal Uai
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Marfil
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