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25.2.07

Quem vai apresentar o Oscar 2007...

Eis a lista de apresentadores do Oscar 2007, em categorias bem didáticas:

Porque Venceram no ano Passado...
Philip Seymour Hoffman, Rachel Weisz, George Clooney, Reese Witherspoon

Você agora faz parte de nossas vidas...
Helen Mirren

Oops! Você foi esnobado...
Ben Affleck, Emily Blunt, James McAvoy, Ken Watanabe, Naomi Watts

Você vai perder. Aceite esse convite como um presente de consolação...
Meryl Streep, Leonardo DiCaprio, Abigail Breslin, Kate Winslet,Cate Blanchett, Penelope Cruz

Desculpe...Seu pai vai perder...
Jaden Smith

Nós vamos votar em você!!!
Al Gore

Gente bonita...Gente famosa...
Gael Garcia Bernal, Catherine Deneuve, Clive Owen, Gwyneth Paltrow,Jennifer Lopez, Jessica Biel, Nicole Kidman, Eva Green, Hugh Jackman

O Oscar não existiria sem você...
Jack Nicholson, Jodie Foster, Tom Hanks

Você é divertido e a noite é muito longa...
Jerry Seinfeld, Queen Latifah, Diane Keaton, Steve Carell, Will Ferrell, Cameron Diaz

Porque não?
Robert Downey, Jr., Greg Kinnear, John Travolta, Tom Cruise, Kirsten Dunst

Para sua consideração. Estamos de olho em você...
Daniel Craig

As diferentes apostas que se podem fazer

Qual dos filmes ganhará, e quais dos vencedores serão de fato lembrados daqui a alguns anos?

Adivinhar quem serão os vencedores é o esporte mais popular associado ao Oscar. Esporte de risco, porque implica decifrar o que vai pela cabeça de um colégio eleitoral formado por mais de 6 mil votantes. Há previsibilidade, porém, porque, com base na experiência acumulada, pode-se apostar neste ou naquele filme, neste ou naquele ator, com razoável grau de segurança.

Há também as premiações prévias, que indicam caminhos, como a do Globo de Ouro e os prêmios dos sindicatos de atores (Actor's Guild) e diretores (Director's Guild). Enfim, o Oscar é um jogo, mas não um jogo de azar, aleatório. Pode-se jogar com inteligência, habilidade e conhecimento acumulado, embora um pouco de sorte não seja de todo inútil.

Há um outro jogo, este de risco maior, e cujo resultado só pode ser conhecido anos mais tarde: quais dos filmes indicados, ou mesmo premiados, ficarão, e quais serão descartados pela memória coletiva pouco tempo depois? Não parece engraçado que, por exemplo, "Titanic" ou "Coração Valente" tenham sido considerados os melhores filmes nos anos em que foram lançados? Alguém garante que "Crash", que surpreendeu a todos no ano passado, estará vivo na memória cinéfila daqui a dois ou três anos? Como estão, e provavelmente estarão, por muito tempo ainda, "O Poderoso Chefão" ou "Lawrence da Arábia".

Portanto, a pergunta pode ser: o que vai sobrar dos indicados deste ano depois da euforia da festa e do choro dos perdedores? Qual dos cinco indicados para a categoria principal tem mais condições de resistir à passagem do tempo? Talvez um bom palpite seja "Cartas de Iwo Jima" que, ganhe ou não a estatueta, deverá se tornar referência no gênero 'filme de guerra' junto com seu par, "A Conquista da Honra". "Cartas de Iwo Jima" tem também a vantagem de coroar uma singular carreira ascendente em Hollywood, a do diretor Clint Eastwood, que passou de astro caubói que era nos anos 60 e 70 a um dos grandes 'autores' do cinema contemporâneo. É provável que no futuro esse impactante filme sobre a batalha de Iwo Jima vista pelos olhos do derrotado seja usado como exemplo de como um profissional de cinema pôde mudar de maneira radical a direção de sua carreira e se tornar o oposto do que fora até então.

"A Rainha" pode até ganhar o Oscar, mas será considerado, em qualquer tempo, e mesmo agora, um dos pontos altos da trajetória de Stephen Frears? A mesma pergunta poderá ser feita caso vença "Os Infiltrados". Será que Scorsese não mereceu mais o prêmio lá atrás, com obras tão intensas quanto "Táxi Driver", por exemplo? Ou, na hipótese de vencer "Pequena Miss Sunshine", ele será lembrado como o filme simpático que é ou como uma das maiores zebras de toda a história do Oscar?

Por Luiz Zanin Oricchio - Estado de São Paulo

E o Oscar vai... para quem?

'É o ano dos hispânicos', diz Iñárritu, diretor de Babel, que está na lista dos premiáveis desta noite

O resultado do ano passado deixou os produtores escaldados - quando a escolha de melhor filme prometia acontecer como numa disputa de cara ou coroa, entre "Capote" e "O Segredo de Brokeback Mountain", eis que a moeda caiu em pé e o vencedor foi o azarão "Crash"". Assim, na noite de hoje, quando começar a transmissão da 79ª entrega do Oscar, no Kodak Theatre, em Los Angeles, toda cautela será pouca. Afinal, os cinco finalistas agora apresentam importantes restrições.

"Babel", de Alejandro González Iñárritu, aparece com ligeira vantagem por sua dramaticidade e grandes interpretações, mas a violência da vida e a relação fortuita entre pessoas de diversas nacionalidades têm um verdadeiro significado? A mesma questão ronda "Os Infiltrados", bem-vindo retorno de Martin Scorsese ao seu estilo habitual de filmar. "A Rainha", de Stephen Frears, tem classe, bom gosto, harmonia, mas onde ficou a naturalidade? E "Pequena Miss Sunshine", escolhido pelo sindicato dos atores (o maior colégio eleitoral da Academia), é uma gracinha, peculiar, bem-intencionado, mas onde ficou a abrangência? Finalmente "Cartas de Iwo Jima", de Clint Eastwood, parece reunir tudo: competência, abrangência, ambição, significados profundos. Só faltou uma boa arrecadação nas bilheterias, pecado capital na bíblia dos grandes tubarões da indústria cinematográfica.

Em Los Angeles, as apostas agora são feitas à boca pequena. O mesmo não pode ser dito a respeito das escolhas individuais, quando os favoritos devem realmente levar a estatueta. Helen Mirren, por exemplo, já deve ter preparado uma variante dos discursos que fez quando venceu todos os prêmios em que concorria como melhor atriz por "A Rainha". Também é esperado um mais articulado Forest Whitaker, favorito como ator por "O Último Rei da Escócia", a fim de evitar o vexame de murmúrios que marcou seu agradecimento quando recebeu o Globo de Ouro.

Entre os coadjuvantes, a julgar pelas diversas premiações que antecederam o Oscar, a dupla de "Dreamgirls" (filme com mais indicações, oito), Jennifer Hudson e Eddie Murphy, são os virtuais vencedores. Já o melhor diretor sairá de uma concorrência acirrada, com ligeira vantagem para Martin Scorsese - mais pelo conjunto da obra, acreditam alguns, que pela real primazia de seu trabalho em "Os Infiltrados".

O multiculturalismo é outro importante destaque do Oscar, em cuja premiação o sotaque latino predomina em pelo menos 20 indicações ao prêmio. 'É o ano do grupo dos hispânicos', assegura Iñárritu, que lidera a lista formada ainda pela espanhola Penélope Cruz, primeira atriz candidata ao Oscar por um trabalho em castelhano, os mexicanos Guillermo Arriaga (roteiro original), Adriana Barraza (atriz coadjuvante) e Guillermo del Toro (filme estrangeiro), o argentino Gustavo Santaolalla (trilha sonora), além de Alfonso Cuarón, cujo "Filhos da Esperanç"a disputa os prêmios de melhor roteiro adaptado, montagem e fotografia. "O Labirinto do Fauno", aliás, de Guillermo del Toro, surpreendeu ao sair indicado para seis prêmios - além de melhor produção estrangeira, concorre a roteiro original, maquiagem, música, fotografia e direção artística.

A babel de idiomas é reforçada com a presença da japonesa Rinko Kikuchi, indicada para melhor coadjuvante pelo filme de Iñárritu, além da possibilidade de "Cartas de Iwo Jima" vencer como melhor produção do ano. Se isso acontecer, será o primeiro trabalho dos Estados Unidos filmado predominantemente em outro idioma (o japonês) a ser eleito como melhor filme. Por fim, há a presença ainda de "Apocalypto", polêmica história dirigida por Mel Gibson totalmente falada na língua maia com três indicações (maquiagem, som e edição de som).

Em meio a muitas possibilidades e poucas certezas, alguns estudiosos aproveitam para levantar teorias. É o caso do historiador Emanuel Levy, autor de um livro sobre a trajetória do Oscar. Para ele, o vencedor de melhor filme não é necessariamente a produção mais bem acabada ou com alguma inovação artística, mas aquela que oferece uma importante mensagem, seja política ou humanitária. É o que justifica, por exemplo, a vitória de "Gandhi", em 1982, derrubando "Tootsie", "ET", "O Veredicto" e "Desaparecido". Também foi o caso de "Crash", no ano passado. 'Em vez de votar em Brokeback Mountain, os eleitores (a maioria é masculina) preferiram as relações internacionais da América', disse. 'Como a entrega do Oscar é um evento global, a Academia trata a premiação mais como um evento sociológico que como fenômeno artístico.' Assim, seguindo sua própria teoria, Levy aponta uma ligeira vantagem de "Pequena Miss Sunshine". A confirmação, porém, só terá quem ficar acordado até a madrugada de amanhã, quando terminar a transmissão.

Por Ubiratan Brasil - Estado de São Paulo

22.2.07

Babel de Apostas

No inicio da temporada de prêmios, tudo indicava que a inevitável polarização de todo ano seria entre "Dreamgirls" e "A Conquista da Honra". Escrevi até que estes dois polos tinham um sabor de nostalgia, em busca, talvez, de reflexões sobre o presente. Afinal, seria a disputa, em pleno 2007, entre dois dos gêneros mais clássicos do cinema: o musical e o filme de guerra.

Os dois primeiros favoritos estão fora de jogo para o principal Oscar, melhor filme. Espero ver "Dreamgirls" ganhar ator e atriz coadjuvante, melhor canção e pelo menos uma estatueta técnica (aposto em mixagem de som). São quatro de suas oito indicações. Nada mau, mas também longe de ser espetacular. "A Conquista da Honra" está fora. Qualquer coisa que o (magnífico) "Cartas de Iwo Jima" levar será lucro, mas dificilmente Melhor Filme.

Para a categoria principal, vejam só, a disputa está em dois títulos que, em setembro, as pessoas descartavam: "Pequena Miss Sunshine" (pequeno demais, estreou no primeiro semestre, ninguém se lembra mais dele, é "tipo Sundance"); e "Os Infiltrados", que a Warner quase que escondeu por "não ser filme para prêmio".

Ironias de Hollywood...

E irônicamente, Dreamgirls fez história: embora no passado vários filmes tenham tido múltiplas indicações sem uma para melhor fime, "Dreamgirls" é mesmo o primeiro dos 79 anos do Oscar a ter o maior número de indicações num ano "menos a que realmente pesa..."

E embora, de longe, a gente tenha a impressão de que está tudo decidido, de perto a realidade é outra. Para todos os estrategistas e divulgadores esta é uma das disputas mais abertas dos últimos anos, sem nenhum grande favorito e com apenas a mais tênue das polarizações entre "Os Infiltrados" ("Martin Scorsese em sua melhor forma!" era o tema da sua campanha) e "Pequena Miss Sunshine" ("Lembre-se de como este filme fez você sentir!", era seu slogan). Mas o consenso é que a mais leve das oscilações num grupo de votantes pode ter colocado vários azarões no páreo, na última hora - vejam, por exemplo, como mudou a dinâmica do favoritismo de "Babel" para "Infiltrados" e de "Dreamgirls" para "Sunshine", nos dias antes do encerramento da votação.

Daqui eu já digo que o Oscar 2007 já tem um grande vencedor: o cinema latino, especialmente o mexicano e espanhol. O simples volume das indicações mostra que mais uma porta se abre para outros nomes, outros trabalhos e outras visões, a exemplo do que já ocorreu com o cinema britânico, australiano e asiático.


Voltando às atenções para quem está na lista, dá para dizer com uma certa segurança que não existe um favorito incontestável. É bem verdade que o recortado painel multicultural proposto por Alejandro González Iñarritu em "Babel" ganha certa vantagem em relação aos outros concorrentes. Vencedor do Globo de Ouro, do Festival de Cannes e segundo filme em número de indicações (Sete), o longa era apontado como provável vencedor por críticos e especialistas. Atenção: provável.

Explicação: olhando para trás, nas duas últimas edições, os favoritos perderam para produções, que, até às vésperas da premiação, não pareciam ameaçar a vitória dos prediletos em bolsas de apostas. Em 2005, "Menina de Ouro", de Clint Eastwood, derrubou "O Aviador", de Martin Scorsese. Ano passado, o independente "Crash", de Paul Haggis, surpreendeu "Brokeback Montain", de Ang Lee. Lobby e marketing por parte dos estúdios na reta final do Oscar podem mudar a história da noite de premiação.


Então pode acontecer absolutamente tudo na corrida: A Academia pode fazer de "Os Infiltrados" um grande pedido de desculpas por tantos anos sem premiar Martin Scorsese, mas será que uma vitória como diretor já não seria suficiente para esse perdão? Ou eles podem ainda premiar "Cartas de Iwo Jima" só para ver o Clint Eastwood, que eles amam, e o Steven Spielberg, outro adorado, subirem juntos ao palco. Mas um longa em japonês ganhando o Oscar de melhor filme? Aliás, um longa em língua estrangeira ganhando o Oscar de melhor filme? Seria inédito. Além disso, é pouco provável que a Academia dê o prêmio a Clint Estwood dois anos depois de seu "Menina de Ouro" levar as estatuetas de Melhor Filme e Direção.

Mas eles estão cheios de alternativas: podem ainda ir de "filme sério" e escolher "Babel", mas já não foram de "filme sério" no ano passado? Nisso, que tal um filme sério com um quê clássico como "A Rainha"? Ele tem indicações de direção, atriz e roteiro, o que reforça suas chances e ainda teve uma surpreendente inclusão em figurinos, o que mostra a vontade de premiá-lo. Seria uma saída inteligente? Ou, como já aconteceu em 1981, quando "Carruagens de Fogo" ganhou de "Reds", ou em 1989, quando "Conduzindo Miss Daisy" derrotou "Nascido em Quatro de Julho", a Academia pode muito bem escolher o filme indie, família, mais fofinho, que no caso seria "Pequena Miss Sunshine".

A comédia independente dirigida pelo casal Jonathan Dayton e Valerie Faris tem forte apelo entre o público. Além disso, conquistou o PGA Awards de Melhor Filme e o SAG de Melhor Elenco, desbancando os grandes "Babel", "Os Infiltrados", "A Rainha" e "Dreamgirls". O prêmio oferecido pelo Sindicato dos Produtores Americanos tem servido como ante-câmara para o Oscar. Em 17 edições, o vencedor do PGA se repetiu na maior premiação do cinema mundial por 11 vezes. Além disso, seus integrantes também votam no Oscar.

Mas e "Babel"? Tem seus fãs, inclusive a turma da Time Warner que apostou todas as fichas do filme em suas principais revistas (a Time e a Entertainment Weekly). A ala de oráculos onde ponho mais fé discorda. E eu vou além: considerando que "Babel" é a terceira probabilidade, de quem tem mais chances de tirar votos? Da doçura de Sunshine ou da crueza de Infiltrados?

Fonte: CorreioWeb (Sinval Neto), HollywoodWatch (Ana Maria Bahiana), OscarBuzz (Chico Fireman) e Film Experience (Nathaniel)

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