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12.3.08

O Cinema Fantástico

Parte 5:
A Consagração de Peter Jackson



Em 1986, Sigourney Weaver foi indicada como melhor atriz por ALIENS- O RESGATE, continuação de James Cameron de ALIENS - O OITAVO PASSAGEIRO, que ela mesma havia estrelado e sido esquecida para o prêmio. A fita concorreu a 6 OSCARs e no final só levou os óbvios Efeitos Sonoros e Visuais. Depois nenhum filme de fantasia foi indicado na década seguinte.

Curiosamente, foi nesse mesmo período que surgiu o filme de terror que mais levou OSCARs, O SILÊNCIO DOS INOCENTES. O filme de Jonathan Demme que imortalizou o cruel e impiedoso Hannibal "Canibal" Lecter, ganhou 5 OSCARs e justamente os mais importantes: Filme, Diretor, Ator (Anthony Hopkins), Atriz (Jodie Foster) e Roteiro Adaptado. Embora hoje seja classificado como terror, na época as pessoas não tiveram essa percepção. Não sabiam como identificá-lo, já que de certa forma criava um genero novo. Talvez por isso ganhou.

Os anos 90 chegaram e infelizmente os filmes de fantasia não os acompanharam devidamente. Os filmes de terror eram raros e de certa forma os de ficção também. Nesse período, somente GHOST e A BELA E A FERA, tiveram indicações. O Primeiro ganhou coadjuvante para Whoopi Goldberg e Roteiro Original e o segundo foi o primeiro desenho animado da história do cinema a ser indicado na categoria principal. Logicamente filmes importantes apareceram, como DRÁCULA DE BRAM STOKER de Coppola, a revolução digital O EXTERMINADOR DO FUTURO 2 e JURASSIC PARK, onde Spielberg mostrou que os dinossauros não estavam tão extintos como pensávamos.

Os filmes de fantasia voltaram à moda em 1996, graças ao sucesso de INDEPENDENCE DAY, sobre uma invasão alienígena e PÂNICO onde se brincava com os clichês dos filmes de terror. O auge da década foi em 1999. Onde Stephen Sommers recriou um clássico monstro da Universal em A MÚMIA, George Lucas voltou à sua ópera espacial em STAR WARS: A AMEAÇA FANTASMA, os irmãos Wachowski surpreenderam o mundo com MATRIX numa mistura de ficção e kung-fu e M. Night Shyamalan com seu garoto que vê gente morta em O SEXTO SENTIDO.

O novo milênio chegou e os filmes de fantasia continuam com seus altos e baixos. A trilogia de J. R. Tolkien, O SENHOR DOS ANÉIS, tida como obra literária máxima da fantasia, finalmente foi para os cinemas. A primeira parte, A SOCIEDADE DO ANEL recebeu 13 indicações e só ganhou 4: Fotografia, Maquiagem, Efeitos Especiais e Trilha Musical. Novamente levou apenas os técnicos. A segunda parte , AS DUAS TORRES recebeu 6 indicações sendo muito boicotada em algumas categorias (como Maquiagem por exemplo, que insistiu que o filme já havia sido premiado anteriormente, o que naturalmente é um absurdo!), dois quais só ganhou 2: Edição de Som e Efeitos Especiais.

E finalmente, depois de 75 anos de premiação, a consagração! Sucesso de crítica e público, O RETORNO DO REI recebeu 11 indicações e ganhou todos os Oscars pelo qual foi indicado: Filme, Direção, Roteiro Adaptado, Trilha Musical, Canção, Montagem, Som, Maquiagem, Efeitos Especiais, Direção de Arte e Figurino. Igualou-se a TITANIC e BEN-HUR no recorde de prêmios da cerimônia. Foi o primeiro filme de fantasia da história do cinema a ganhar um OSCAR de melhor filme e bateu o recorde dO ÚLTIMO IMPERADOR no aproveitamento de indicações. (O filme de Bertollucci havia sido indicado em 9 categorias e ganho em todas). Têm mais: Das 30 indicações que a trilogia recebeu, levou 17 OSCARS, batendo o recorde que era da trilogia O PODEROSO CHEFÃO. Levou 3 OSCARS consecutivos de Efeitos Especiais (!) e foi a primeira vez, no OSCAR, que uma terceira parte ganhou. No fundo, com todos os méritos e justiça.

Apesar dos constantes sucessos de público e crítica, como foi comprovado ao longo dessas reportagens, isso não quer dizer que o gênero esteja sendo reconhecido pela Academia. Muitos chegaram a ser indicados, mas poucos foram os prêmios, mesmo com a incontestável qualidade de certas obras. A postura da Academia permanece extremamente conservadora a esse respeito. O que existe mesmo, é uma preferência por filmes dramáticos convencionais, talvez porque a grande maioria dos votantes sejam atores, que preferem grandes conflitos dramáticos em grandes personagens ao invés de efeitos visuais. Resta aos fãs continuarem a apreciar e amar seus filmes de fantasia e esperar que um dia a Academia largue sua postura ultrapassada e passe a amá-los também...

Reportagem e texto de Otávio Moulin e Rubens Ewald Filho

11.3.08

O Cinema Fantástico

Parte 4:
A Saga de Indiana Jones



Seguiu-se uma onda de filmes espaciais influenciada pelo sucesso de STAR WARS, vimos Ridley Scott criar o terror em ALIEN - O OITAVO PASSAGEIRO (1979), onde, "no espaço ninguém ouvirá seu grito"; Robert Wise guiando a primeira aventura da Enterprise no cinema em JORNADA NAS ESTRELAS e até mesmo o agente britânico 007 se aventurar na gravidade zero em 007 CONTRA O FOGUETE DA MORTE.

Logo no ínicio da década de 80, George Lucas nos deu a continuação de Guerra nas Estrelas em O IMPÉRIO CONTRA-ATACA. O filme é considerado até hoje o melhor da série pela imensa legião de fãs. Concorreu a 3 OSCARs, levando apenas um (Som). Na mesma época Lucas e Spielberg se juntaram e acabaram contando uma das maiores aventuras da história do cinema, OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA em 1981. Spielberg fez do arqueólogo uma referência de aventura, um herói meio desajeitado e impulsivo, sempre perseguido por vilões marcantes e solto em meio a situações inusitadas geralmente envolvendo misticismo. Concorreu a 8 prêmios, mas novamente esnobaram Spielberg e o filme venceu 4 OSCARs técnicos. Indy não pareceu ter fôlego para encarar os atletas olímpicos de CARRUAGENS DE FOGO.

ET, O EXTRATERRESTRE conquistou multidões em 1982 e se tornou recordista absoluto de bilheteria por muitos anos. Foi indicado a 9 OSCARs e levou 4, novamente só o técnicos. Na mesma ocasião, o filme cult por excelência BLADE RUNNER, TRON - UMA ODISSÉIA ELETRÔNICA e POLTERGEIST concorreram a prêmios técnicos. E não ganharam. Preconceito? Sei...

Em 1983, George Lucas lançou seu terceiro capítulo de STAR WARS: O RETORNO DE JEDI. Suas qualidades técnicas foram reconhecidas com 4 indicações na mesma época em que Wes Craven criava um novo grande ícone do terror, o deformado Freddy Krueger e Joe Dante infestava uma cidadezinha com um exercito de GREMILINS e o assassino Jason encontrava sua primeira morte em SEXTA-FEIRA 13 PT.IV

A época estava ótima para filmes de fantasia, como se pode perceber, surgiram O FEITIÇO DE ÁQUILA, sobre o amor amaldiçoado de um casal, O ENIGMA DA PIRÂMIDE, sobre as aventuras de um jovem Sherlock Holmes, COCCON, sobre a amizade entre velhinhos e alienígenas e também DE VOLTA PARA O FUTURO que foi indicado em 4 categorias, mas não levou nenhum troféu. Não está se tornando cansativo? Mas estamos tentando provar o preconceito de forma indiscutível.

9.3.08

O Cinema Fantástico

Parte 3:
Spielberg & George Lucas



Os anos 70 estavam com tudo, novos cineastas estavam ganhando atenção, como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Brian de Palma, e esse período é considerado por muitos o mais importante do cinema norte-americano depois do fim da "Era dos Estúdios". Também foi a época que surgiu outro jovem cineasta chamado Steven Spielberg, que em 1971 havia feito uma pequena jóia: ENCURRALADO, em que um motorista é aterrorizado por um caminhoneiro em uma emocionante perseguição, e que em 1975 iniciou a era dos filmes de verão, os grandes blockbusters, com TUBARÃO.

TUBARÃO era um filme relativamente simples, com a fera que aterrorizava inocentes banhistas, e isso deixou muita gente sem entrar na água naquele verão. A imaginação de Spielberg fez do filme um sucesso, aonde o monstro quase não aparecia, era, na verdade apenas sugerido pelos movimentos de câmera e pela trilha sonora de John Willians. Teve 4 indicações: Filme, Trilha Musical, Edição e Som e levou apenas os três prêmios técnicos. O tubarão de borracha não foi bom o suficiente para derrotasr Jack Nicholson e seus colegas de sanatório em UM ESTRANHO NO NINHO.

Em 1976, Sissy Spacek e Piper Laurie foram indicadas por seus trabalhos como coadjuvantes em CARRIE: A ESTRANHA, cult clássico de Brian de Palma adaptado de um conto de Stephen King. Nenhuma das duas ganhou.

Em 1977, estreiou um filme conhecido até então como STAR WARS, obra de outro jovem diretor, George Lucas. O filme trazia algo diferente, era uma grande aventura recheada de personagens exóticos e incrivelmente carismáticos, situados em um universo bem rico, repleto de intrigas shakespearianas. Seus efeitos especiais também eram revolucionários e com certeza tiveram grande influência sobre o público que lotou os cinemas. Recebeu 10 indicações, incluindo Filme, Diretor, Roteiro Original e Ator Coadjuvante, e somente nessas 4 categorias não venceu. O poderoso Darth Vader foi vencido por Woody Allen e seu NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA.

Na mesma cerimônia em que STAR WARS concorreu, aquele mesmo Spielberg, também teve um filme concorrendo ao OSCAR, oito para ser mais exato. Era CONTATOS IMEDIATOS DE TERCEIRO GRAU, e teve um destino mais triste, só levando Fotografia. Coisas interessantes ainda aconteciam fora do OSCAR. O diretor John Carpenter criou, com o filme HALLOWEEN, o assassino Michael Myers, e uma legião de serial killers imitadores ficaram à solta ao mesmo tempo em que outro realizador, Richard Donner, mostrava que um homem podia voar em SUPERMAN.

7.3.08

O Cinema Fantástico

Parte 2:
A Era Hitchcock, os filmes B e o exorcista



Muito bem, relembramos grandes filmes, mas nada de OSCAR até agora, certo? Na verdade, alguns filmes de fantasia conseguiram ser premiados, mas geralmente em categorias técnicas como som ou efeitos especiais (O FANTASMA DA ÓPERA e GUERRA DOS MUNDOS), e muitos achavam que era o máximo que o gênero poderia conseguir. Não havia um ator ou diretor de filmes dramáticos que migrasse para um filme de terror ou ficção e que recebesse reconhecimento. Até mesmo o mestre do suspense, Alfred Hitchcock.

Antes disso, deixem-me fazer um parêntese. Os americanos usam um termo para definir o filme dito thriller (que vem de "to thrill", emocionar, provocar emoções, ou seja, é um filme que provoca emoções fortes, até arrepios, se for o caso). Na falta de melhor nome, usa-se no Brasil o termo suspense, que é realmente outra coisa. Era Hitchcock quem fazia a definição. O filme é de mistério policial quando há um assassinato e você acompanha a investigação, até a revelação final, sabendo das mesmas informações que os personagens. É suspense quando o espectador sabe mais que os personagens. Ele vê o criminoso e fica torcendo, aflito, nervoso com o que sabe que vai acontecer e não tem como impedir. Isso sim é que é suspense e era o que Hitchcock sabia fazer melhor. E nem por isso foi reconhecido pela Academia.

Hitchcock já havia recebido 3 indicações como diretor por UM BARCO E NOVE DESTINOS, QUANDO FALA O CORAÇÃO e JANELA INDISCRETA, filmes que seriam mais de suspense do que outra coisa. Recebeu sua quarta indicação graças ao seu grande trabalho no impecável PSICOSE que se tornou um de seus filmes mais famosos. Vejam só: o Norman Bates foi o primeiro grande serial killer do cinema. Ele tinha estilo, vestia-se de mulher, falava com sua mãe morta e empalhada, morava em uma casa sinistra e ainda por cima é protagonista de uma das mais famosas cenas do cinema, aquela mesma que você está pensando, quando o incoveniente manda Janet Leigh para o além em pleno banho. Quebrando uma regra básica de nunca matar a atriz principal até o fim do filme, Hitchcock se livra de Janet antes da metade da fita !

Apesar de todas as qualidades, PSICOSE foi ignorado pela Academia. Hitchcock perdeu o prêmio de direção para Billy Wilder, (SE MEU APARTAMENTO FALASSE) e nunca levou um OSCAR para casa, falha que a Academia tentou consertar mais tarde entregando um premio pelo conjunto da obra. Além disso o filme perdeu nas outras 3 indicações, inclusive na de Janet Leigh como Coadjuvante, além de Fotografia e Direção de Arte em Preto e Branco.

As coisas seguiram seu rumo, os filmes continuaram a sair, mas apesar do surgimento de promissores nomes como os do italiano Dario Argento e de George A. Romero (aquele dos zumbies) e Roger Corman (especialista em fitas B), os filmes de horror e fantasia voltaram ao segundo escalão, filmes B, cultuados por jovens em busca de fuga do lugar-comum, subversão ou apenas novas idéias. Mas as coisas mudaram em 1969, quando Stanley Kubrick, o já respeitado diretor de SPARTACUS e LOLITA, lançou sua grande obra-prima: 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO. Era uma espetacular aventura visual, um drama sobre a busca de algo superior, tinha um conceito à frente de seu tempo e mostrou HAL-9000, o computador mais humano que se tem notícia. O filme quebrou barreiras. Além do aspecto dramático, foi uma ficção séria feita por um cineatas sério, não era mais uma fita sobre calotas presas em arames como discos voadores invadindo a Terra. Era algo perfeitamente tangível, que colocou o homem no espaço antes mesmo de sua primeira viagem à Lua e revolucionou muita coisa adiante.

Novamente a inovação não surtiu efeito. 2001 foi indicado aos OSCARs de Melhor Roteiro, Direção de Arte, Direção e Efeitos Especiais e só venceu nesta última categoria, técnica, na época sem tanto glamour quanto as outras. Em 1972, nova injustiça: LARANJA MECÂNICA, um filme polêmico, alegórico, que previu o crescimento descontrolado da violência e tentativas desesperadas de contê-la, recebeu indicações de melhor Roteiro, Direção, Edição e Filme, mas Popeye Doyle e Buddy Russo atropelaram o jovem que só se interessa em estupro, ultraviolência e Beethoven quando OPERAÇÃO FRANÇA, o filme violento, mas "realístico", de William Friedkin, ficou com todos esses prêmios.

Vejam só o padrão e o preconceito que se criou. O mesmo Friedkin, que conseguiu ganhar um OSCAR com um filme dramático, não o consegiu, dois anos depois com O EXORCISTA que foi um sucesso enorme de público que desmaiava e gritava nos cinemas ao ver uma garotinha vomitar gosma verde, e surpreendentemente de crítica, o que levou a dez indicações e apenas dois prêmios: Som e Roteiro, embora tenha revolucionado o gênero e pela primeira vez tenha dado status de classe A para o terror explícito, com vômito verde, diabo falando palavrões e tudo. Numa frase: O terror ganhou respeito porque passou a dar lucro. E em Hollywood, o dinheiro manda. Aliás, não só lá.

6.3.08

O Cinema Fantástico

Parte 1:
Do cinema expressionista aos monstros da Universal



Os fanáticos por filmes de ficção científica, horror e outros temas fantásticos podem ficar horas e horas discutindo com amigos o quanto George Lucas errou ao colocar Greedo atirando primeiro contra Han Solo em STAR WARS, como Data é o único androíde do universo que ganha rugas em JORNADAS NAS ESTRELAS ou como Michael Myers, o assassino de HALLOWEEN pode ter sido criado por um culto - digno de mitologia paranóica de ARQUIVO X, como foi explicado em suas incontáveis continuações. Tentar traçar um paralelo entre o sucesso de muitos deles e seu reconhecimento entre os críticos é ainda mais interessante, principalmente em relação ao OSCAR, quando em raríssimas ocasiões eles foram homenageados com prêmios principais.

Vamos começar bem pelo começo. A primeira cerimônia do OSCAR, foi em 1929 e o grande vencedor foi ASAS, um filme que cá entre nós não tem nada de fantástico. Naquela altura já haviam sido lançadas pelo menos duas obras-primas da Fantasia: NOSFERATU, com sua cenografia gótica e visual sómbrio e inovador, e METROPÓLIS, que utilizava uma luta entre classes sociais. Sem falar em todo o resto do cinema expressionista alemão, inclusive O GABINETE DO DR. CALIGARI, O GOLEM, FAUSTO, todos os filmes que se enquadram perfeitamente dentro do gênero e são obras-primas reconhecidas no cinema.

A coisa começou a ficar feia nos anos seguintes, como por exemplo em 1933, com KING KONG, na clássica história do macaco gigante que revolucionou o uso de efeitos especiais com um enredo levemente inspirado em A BELA E A FERA. Infelizmente isso não foi suficiente para que Kong ganhasse nem mesmo uma indicação da Academia, ainda que hoje seja considerado outra obra-prima de aventura e efeitos. Na mesma época, a Universal faturava alto com vários filmes de monstros, como aqueles inesquecíveis de Boris Karloff, como A MÚMIA e FRANKESTEIN, ou Bela Lugosi como DRÁCULA. Eram criaturas terrivelmente charmosas, baseadas em conceitos simples como monstros das profundezas, mortos que voltam à vida, homens que viram aberrações, resumindo, medos e mitos que seguem o homem desde o ínicio de sua existência. Ainda assim, com tanto sucesso, os filmes de terror ainda eram considerados filmes B.

Os filmes de monstros continuaram a fazer sucesso nos anos 40, com LOBISOMEM e O FANTASMA DA ÓPERA. Mas o que realmente explodiram foram os filmes de ficção científica, com um interesse renovado do público depois da Segunda Guerra e sua evolução tecnológica. Esse fervor transformou o início da década de 50 num tesouro para aficionados, já que vários clássicos surgiram no período como O HOMEM DO PLANETA X, GUERRA DOS MUNDOS, VEIO DO ESPAÇO, O MONSTRO DO MAR REVOLTO (com efeitos especiais quadro-a-quadro), o japonês GODZILLA, VAMPIROS DE ALMAS e A INVASÃO DOS DISCOS VOADORES. Foi um período muito fértil para discos voadores, invasões alienígenas e homens do espaço. Mas não para OSCARs. E também criando um mito errado de que filme B era filme ruim, estilo ED WOOD, para se debochar ou rir; curtir talvez, mas junto com o filme, nunca o filme.

Mas os fãs de terror nunca foram abandonados; Havia os filmes de Willian Castle e os da American-International, mas realmente marcante foi uma pequena revolução que estava para acontecer, direto da Inglaterra, sob o nome de Hammer Films. Foi em 1957, quando filmaram A MALDIÇÃO DE FRANKESTEIN, uma releitura totalmente diferente da imagem criada pela antiga Universal. O filme era mais ágil, mais sombrio, com elementos chocantes, e tornou mundialmente famosos os nomes do estúdio e de seus protagonistas, um certo senhor chamado Christopher Lee e outro chamado Peter Cushing, que repetiram a dupla em outros filmes de igual sucesso em particular O VAMPIRO DA NOITE de 1958.

28.1.08

A Guerra dos Estúdios


1
Paramount Pictures
921 Indicações | 186 Oscars
BABEL | DREAMGIRLS | AS HORAS | O RESGATE DO SOLDADO RYAN | TITANIC | CORAÇÃO VALENTE | FORREST GUMP | LAÇOS DE TERNURA | INDIANA JONES | O HOMEM ELEFANTE | CHINATOWN | O PODEROSO CHEFÃO | BECKET | UM LUGAR AO SOL | FARRAPO HUMANO...

2
Warner Bros. Pictures
907 Indicações | 182 Oscars
OS INFILTRADOS | O AVIADOR | MENINA DE OURO | SOBRE MENINOS E LOBOS | HARRY POTTER | MATRIX | L.A. CONFIDENCE | OS IMPERDOÁVEIS | JFK | CONDUZINDO MISS DAISY | IMPÉRIO DO SOL | A COR PÚRPURA | CARRUAGENS DE FOGO | O EXORCISTA | BONNIE E CLYDE | QUEM TEM MEDO DE VIRGINIA WOLF? | MY FAIR LADY | SAYONARA | UM BONDE CHAMADO PECADO | CASABLANCA...

3
20th Century Fox
878 Indicações | 187 Oscars
MESTRE DOS MARES | MOULIN ROUGE | TITANIC | ALIEN | A HONRA DO PODEROSO PRIZZI | ALL THAT JAZZ | JULIA | STAR WARS | CONEXÃO FRANÇA | M.A.S.H | PATTON | A NOVIÇA REBELDE | CLEÓPATRA | O REI E EU | A MALVADA | A CANÇÃO DE BERNADETTE...

4
MGM
834 Indicações | 191 Oscars
DESPEDIDA EM LAS VEGAS | THELMA E LOUISE | VICTOR/VICTÓRIA | REDE DE INTRIGAS | DR. JIVAGO | BEN-HUR | GIGI | A BELA E A FERA | SINFONIA EM PARIS | ROSA DA ESPERANÇA | E O VENTO LEVOU...

5
United Artists
752 Indicações | 151 Oscars
CAPOTE | RAIN MAN | TOURO INDOMÁVEL | APOCALIPSE NOW | ANIE HALL | UM ESTRANHO NO NINHO | MIDNIGHT COWBOY | NO CALOR DA NOITE | TOM JONES | JULGAMENTO EM NUREMBERG | AMOR SUBLIME AMOR | SE MEU APARTAMENTE FALASSE | QUANTO MAIS QUENTE MELHOR | MARTY | REBECCA | NASCE UMA ESTRELA...

6
Columbia Pictures
748 Indicações | 155 Oscars
RAZÃO E SENSIBILIDADE | SONHO DE LIBERDADE | A ERA DA INOCÊNCIA | VESTÍGIOS DO DIA | O ÚLTIMO IMPERADOR | PASSAGEM PARA A ÍNDIA | GHANDI | TOOTSIE | KRAMER VS. KRAMER | ENCONTROS IMEDIATOS DE 3º GRAU | A ÚLTIMA SESSÃO DE CINEMA | OLIVER! | ADIVINHA QUEM VÊM PARA JANTAR? | DR. FANTÁSTICO | LAWRENCE DA ÁRABIA | A PONTE DO RIO KWAI | SINDICATO DE LADRÕES | A FELICIDADE NÃO SE COMPRA | ACONTECEU NAQUELA NOITE...

7
Universal Pictures
466 Indicações | 155 Oscars
DÁLIA NEGRA | KING KONG | RAY | UMA MENTE BRILHANTE | ERIN BROCKOVICH | APOLLO 13 | BABE | A LISTA DE SCHINDLER | NASCIDO EM 4 DE JULHO | ET | TUBARÃO | AEROPORTO | ANNE DOS MIL DIAS...

8
RKO Radio
330 Indicações | 56 Oscars
O MELHOR ANO DE NOSSAS VIDAS | CIDADÃO KANE | TOP HAT | CIMARRON...

9
Miramax
227 Indicações | 52 Oscars
A RAINHA | EM BUSCA DA TERRA DO NUNCA |COLD MOUNTAIN | CHICAGO | GANGUES DE NOVA YORK | REGRAS DA VIDA | A VIDA É BELA | SHAKESPEARE APAIXONADO | O PACIENTE INGLÊS | PULP FICTION | O PIANO...

10
Buena Vista
227 Indicações | 47 Oscars
PIRATAS DO CARIBE | NÁRNIA | O INFORMANTE | SEXTO SENTIDO | EVITA | O REI LEÃO | A BELA E A FERA | DICK TRACY | ROGGER RABBIT | MARY POPPINS | 20.000 LÉGUAS SUBMARINAS...

22.1.08

Historietas Curiosas para crianças que gostam do Tio Oscar


Pelo segundo ano consecutivo, um diretor americano foi indicado por um filme "estrangeiro". Ano passado, foi Clint Eastwood com CARTAS DE IWO JIMA; Esse ano, Julian Schnabel foi reconhecido pelo francês O ESCAFANDRO E A BORBOLETA.

A indicação de Joel & Ethan Coen por ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ em direção, marca a terceira vez na categoria que dois diretores são indicados pelo mesmo filme. A primeira foi em 1961, quando Robert Wise & Jerome Robbins levaram o Oscar de Direção por AMOR, SUBLIME AMOR. A segunda foi com Warren Beatty & Buck Henry por O CÉU PODE ESPERAR (1978).

As várias indicações em múltiplas categorias de Ethan & Joel Coen, os colocam numa seleta companhia que inclui: Walt Disney, Stanley Kubrick, Warren Beatty e
Kenneth Branagh. Os irmãos emplacaram quatro indicações (Filme, Diretor, Roteiro Adaptado e Edição - Sob o pseudônimo de Roderick Jaynes). Feito alcançado apenas por Warren Beatty e Alan Menken: Ser indicado quatro vezes pelo mesmo filme. Warren Beatty foi indicado por Filme, Direção, Ator e Roteiro por O CÉU PODE ESPERAR em 1978; Alan Menken recebeu quatro indicações em 2 categorias musicais por A BELA E A FERA EM 1991

Entre os atores, nove são indicados pela primeira vez. Dos outros 11, seis já ganharam um Oscar.

Marion Cotillard foi indicada por uma performance estrangeira. Quatro atores já venceram o Academy Awards por papeis interpretados em outras línguas: Sophia Loren (1961, Atriz por DUAS MULHERES), Robert De Niro (1974, Coadjuvante por O PODEROSO CHEFÃO - PARTE II), Roberto Benigni (1998, Ator por A VIDA É BELA) e Benicio Del Toro (2000, Coadjuvante por TRAFFIC). Outros indicados incluem Marcello Mastroianni (1962, 1977 e 1987), Anouk Aimee (1966), Ida Kaminska (1966), Liv Ullmann (1972), Valentina Cortese (1974), Isabelle Adjani (1975), Marie-Christine Barrault (1976), Giancarlo Giannini (1976), Ingrid Bergman (1978), Max von Sydow (1988), Gerard Depardieu (1990), Graham Greene (1990), Catherine Deneuve (1992), Massimo Troisi (1995), Fernanda Montenegro (1998), Catalina Sandino Moreno (2004), Penélope Cruz (2006) e Rinko Kikuchi (2006).

Cate Blanchett, que recebeu sua primeira indicação em 1998 por ELIZABETH é o quinto ator a ser indicado pelo mesmo personagem em filmes diferentes. Ela segue os passos de Bing Crosby como o Pai O’Malley em O BOM PASTOR (1944) e OS SINOS DE SANTA MARIA (1945); Paul Newman como "Fast" Eddie Felson em DESAFIO À CORRUPÇÃO (1961) e A COR DO DINHEIRO (1986); Peter O’Toole como Henrique II em BECKET (1964) e LEÃO NO INVERNO (1968); e Al Pacino como Michael Corleone em O PODEROSO CHEFÃO (1972) e O PODEROSO CHEFÃO - PARTE II (1974). Desses, somente Bing Crosby e Paul Newman venceram (Em 1944 e 1986, respectivamente).

Cate Blanchett também entra no seleto grupo de atores reconhecidos por papéis principais e coadjuvantes num mesmo ano. O grupo inclue Fay Bainter (1938), Teresa Wright (1942), Barry Fitzgerald (1944), Jessica Lange (1982), Sigourney Weaver (1988), Al Pacino (1992), Holly Hunter (1993), Emma Thompson (Também em 1993), Julianne Moore (2002) e Jamie Foxx (2004). Ninguém levou dois Oscars no mesmo ano.

E Cate Blanchett é a segunda atriz indicada por interpretar um personagem masculino. Linda Hunt venceu como coadjuvante em O ANO EM QUE VIVEMOS EM PERIGO (1983).

Roger Deakins é o primeiro diretor de fotografia a receber uma dupla indicação num mesmo ano desde 1971, quando Robert Surtees foi indicado por A ÚLTIMA SESSÃO DE CINEMA e HOUVE UMA VEZ NO VERÃO.

A indicação de quatro mulheres nas categorias de roteiro não tem precedentes na história do Prêmio.

Brad Bird é o terceiro diretor a receber uma segunda indicação na categoria de Filme de Animação: Como Bird, John Lasseter e Hayao Miyazaki já tiveram sua glória em sete anos de categoria.

A indicação de Marit Allen em Figurino é póstuma. Ela faleceu em Novembro.

19.11.07

Qual a melhor data para lançar um "Best Picture"?

Muitos já lhe fizeram essa pergunta...Afinal, é a enquete preferida nas mesas de bar ou nas filas do açougue. Ora, o povo quer saber! E você, caro cinéfilo, o que responde diante de tantos rostinhos curiosos ávidos de conhecimento? Faz cara de paisagem e cochicha um humilhante "Não sei"?

Pois seus problemas acabaram...Nós fizemos todo o trabalho para você, caro leitor! Num hercúleo trabalho de pesquisa, nos constatamos que mais da metade dos Best Pictures (49 em 79 para ser mais exato ou 62% se você preferir) estreiaram entre Setembro e Dezembro. E 42% desses filmes foram lançados em Dezembro. Você duvida? Pois confira abaixo...

JANEIRO~ABRIL (15 filmes)

MELODIA NA BROADWAY (28-29), Fev
SEM NOVIDADES NO FRONT (29-30), Abr
CIMARRON (30-31), Jan
GRANDE HOTEL (31-32), Abr
CAVALCADE (32-33), Jan
ACONTECEU NAQUELA NOITE (34), Fev
O GRANDE ZIEGFELD (36), Abr
REBECCA (40), Mar
O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA (52), Jan
MARTY (55), Abr
A NOVIÇA REBELDE (65), Mar
PATTON: REBELDE OU HERÓI? (70), Fev
O PODEROSO CHEFÃO (72), Mar
NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA (77), Abr
O SILÊNCIO DOS INOCENTES (91), Fev

MAIO~AGOSTO (14 filmes)

A VIDA DE ÉMILE ZOLA (37), Ago
ROSA DE ESPERANÇA (42), Jun
O BOM PASTOR (44), Mai
A UM PASSO DA ETERNIDADE (53), Ago
SINDICATO DE LADRÕES (54), Jul
GIGI (58), Mai
SE MEU APARTAMENTO FALASSE (60), Jun
NO CALOR DA NOITE (67), Ago
PERDIDOS NA NOITE (69), Mai
OS IMPERDÓAVEIS (92), Ago
FORREST GUMP (94), Jul
CORAÇÃO VALENTE (95), Mai
O GLADIADOR (2000), Mai
CRASH (05), Mai

SETEMBRO~NOVEMBRO (28 filmes)

O GRANDE MOTIM (35), Nov
DO MUNDO NADA SE LEVA (38), Sep
COMO ERA VERDE O MEU VALE (41), Oct
CASABLANCA (43), Nov
O MELHOR ANO DE NOSSAS VIDAS (46), Nov
A LUZ É PARA TODOS (47), Nov
HAMLET (48), Sep
A GRANDE ILUSÃO (49), Nov
A MALVADA (50), Oct
SINFONIA EM PARIS (51) Oct
A VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS (56), Oct
BEN-HUR (59), Nov
AMOR SUBLIME AMOR (61), Oct
AS AVENTURAS DE TOM JONES (63), Oct
MY FAIR LADY (64), Oct
CONEXÃO FRANÇA (71), Oct
GOLPE DE MESTRE (73), Oct
UM ESTRANHO NO NINHO (75), Nov
ROCKY, UM LUTADOR (76), Nov
GENTE COMO A GENTE (80), Sep
CARRUAGENS DE FOGO (81), Sep
LAÇOS DE TERNURA (83), Nov
AMADEUS (84), Sep
O ÚLTIMO IMPERADOR (87), Nov
DANÇA COM LOBOS (90), Nov
O PACIENTE INGLÊS (96), Nov
BELEZA AMERICANA (99), Sep
OS INFILTRADOS (06), Sep

DEZEMBRO (21 filmes)

E O VENTO LEVOU... (39), Dez
FARRAPO HUMANO (45), Dez
A PONTE DO RIO KWAI (57), Dez
LAWRENCE DA ÁRABIA (62), Dez
O HOMEM QUE NÃO VENDEU SUA ALMA (66), Dez
OLIVER! (68), Dez
O PODEROSO CHEFÃO - PARTE II (74), Dez
O FRANCO ATIRADOR (78), Dez
KRAMER VS. KRAMER (79), Dez
GANDHI (82), Dez
ENTRE DOIS AMORES (85), Dez
PLATOON (86), Dez
RAIN MAN (88), Dez
CONDUZINDO MISS DAISY (89), Dez
A LISTA DE SCHINDLER (93), Dez
TITANIC (97), Dez
SHAKESPEARE APAIXONADO (98), Dez
UMA MENTE BRILHANTE (01), Dez
CHICAGO (02), Dez
O SENHOR DOS ANÉIS: o RETORNO DO REI (03), Dez
MENINA DE OURO (04), Dez

E aí você pergunta: E daí? Daí que dia 7, estréia DESEJO E REPARAÇÃO, dia 14, estréia O CAÇADOR DE PIPAS e A BÚSSOLA DOURADA, dia 21, estréia SWEENEY TODD e THE BUCKET LIST e por fim, no natal, estréia JOGOS DO PODER. Parece uma lista razoavél? Pois é...Sinto cheiro de BEST PICTURE no ar...

13.7.07

Na Cova das Serpentes

Eu sei que é uma lenda mas, como toda invenção, é inspirada em fatos reais. E tem tudo a ver...

Como qualquer vencedor do Oscar irá confirmar, não é fácil ganhar um prêmio. Junto com o sucesso e a notoriedade vêm a responsabilidade, as escolhas, as pressões, os problemas. E, obviamente, o lado negativo: Os erros, os fracassos. Para o resto da vida, aquele que foi indicado ao Oscar poderá usar junto com seu nome a frase: "Academy Award Nominee" ou "Academy Award Winner". E se morrer, com certeza esse será o título de seu obituário. Pensando bem, como a América é uma democracia com saudades da realeza britânica, o Oscar ou Prêmio da Academia, como formalmente eles gostam de chamar, é o que há de mais próximo de um título de Sir ou Dame ou mesmo Lord. É a realeza americana.

Diante de tanta responsabilidade, é normal as carreiras declinarem. O que levou as pessoas a falar numa chamada "maldição do Oscar", mais ou menos como existe a "maldição de Tutankamon"? Talvez não com consequencias tão drásticas, ou letais, a não ser a morte de uma carreira. Parece que, historicamente, a lenda começou quando a atriz Luise Rainer ganhou Oscars de Melhor Atriz em anos consecutivos, por "Ziegfeld, o Criador de Estrelas" e "Terra dos Deuses" (1936 e 1937). Dali em diante, sua carreira não apenas declinou como, praticamente, ela nunca mais fez um filme ao menos razoável, de forma que, a partir de 1938, praticamente largou o cinema e foi esquecida. O caso, porém é que Luise era também uma personalidade difícil, não queria o estrelato. Foi nas duas entregas do prêmio de má vontade, forçada pelo estúdio, que sabendo que ela ganharia foi buscá-la na última hora. Num dos casos ela foi até sem se maquiar! Também preferia o palco ao Cinema e quando ela ganhou, já irritada com Louise, depois que o padrinho dela, Thalberg, morreu, a MGM não se preocupou em lhe dar bons papéis, ou seja, alimentar sua fama, achando também que o fato de ser duplamente premiada já seria suficiente para atrair o público. "Os prêmios foram ruins para mim", chegou a declarar Luise, "as expectativas para o meu trabalho eram fora da realidade. Depois de ganhar o Oscar você não pode cometer erros", concluiu. Da mesma coisa se queixaram dois astros que ganharam Oscars duplos, Bette Davis e Spencer Tracy. Ambos tiveram que lutar mais do que nunca nos respectivos estúdios para conseguir bons papéis. E, embora tenham sido indicados novamente, nunca mais ganharam.

Culpa de quem? Sabe-se, hoje em dia, que muitos atores do cinema mudo tiveram suas carreiras sabotadas pelos estúdios na mudança para o cinema falado, não porque suas vozes fossem ruins, mas porque ganhavam demais, eram chatos e exigentes em excesso. Ou seja era mais barato livrar-se deles. Mas nesta época onde não há mais estúdios a quem culpar, onde ninguém é de ninguém, o fato é que parece mesmo existir tal maldição.

Os exemplos são muitos. É famosa a história de Susan Hayward, que lutou arduamente durante anos para ganhar um Oscar, tendo indicações seguidas até levar o prêmio em 1958 por "Quero Viver". E, deste então, nunca mais fez um grande trabalho, até sua aposentadoria e morre prematura. Talvez porque depois de tanto esforço tenha relaxado. Há também o exemplo de Louise Fletcher, Oscar de Melhor Atriz por "Um Estranho no Ninho". Dali em diante, voltou a ser coadjuvante, sem nunca conseguir firmar seu nome.

Parte da culpa é também da própria Academia, que por vezes gosta de premiar atores que vieram do teatro ou têm um tipo meio específico, díficil de escalar. Penso particularmente no inglês Paul Scofield ("O Homem que Não Vendeu sua Alma") ou em F. Murray Abraham ("Amadeus"), ambos com opções limitadas como tipo. Ou George Chakiris ("Amor, Sublime Amor"). Afinal o que fazer com um dançarino quando não se fazem mais musicais? E mais recentemente Roberto Begnini, que depois de "A Vida é Bela" insistiu em fazer "Pinochio", que foi massacrado pela crítica e fracassou nos EUA. O Mundo inteiro passou a classificá-lo de chato. Benicio del Toro estava com tudo quando ganhou como Coadjuvante por "Traffic", mas teve que ficar longo tempo parado quando sofreu um acidente, fraturando o pulso. Ou seja, perdeu seu momento.

A verdade, porém é que bons papéis são difíceis de encontrar, em particular para mulheres (vejam Helen Hunt, que desde "Melhor, Impossível" só fez escolhas erradas), sem esquecer que uma atriz, em particular uma estrela de cinema, não é uma pessoa fácil ou mesmo, diriámos, normal. Vejam o caso de Kim Basinger, que ficou com síndrome do pânico e teve problemas com o marido Alec Baldwin que ainda não foram bem explicados. De qualquer forma, fazer a mãe de Eminem em "8 Mile - Rua das Ilusões" não é propriamente um desafio e um ápice de carreira.

Certamente a categoria de Coadjuvante é a mais suscetível da maldição por sua própria definição. O que mais pode fazer Jim Broadbent, a não ser papeis de velho malandro? E para que adiantou o Oscar para Márcia Gay Harden ("Pollock"), se desde então sua produção mais importante foi fazer um filho (e interpretar um homem que virou travesti em "Procura-se um Amor em Barcelona"). E sem esquecer o caso de Marisa Tomei, já referido em outra parte, que passou anos com a vida infernizada, tentando provar que era mentira o boato de que Jack Palance errara o seu nome ao anunciá-la como vencedora por "Meu Primo Vinny".

Mas são muitos os casos de coadjuvantes e também de protagonistas cuja de carreira de tal maneira que as novas gerações nem sequer se lembram de muitos deles, Só por curiosidade, vamos fazer um levantamento rápido e não exaustivo:

  • O premio foi criado em 1936 e a Lista Negra do Macarthismo impediu vários coadjuvantes de trabalharem (Galé Sondergaard, Anne Revere, Kim Hunter);

  • Outras eram velhas e sumiram ou faleceram logo depois (Alice Brady, Josephine Hull), ou se conformaram em ser coadjuvante (Fay Bainter, Hattie McDaniel, Jane Darwell, Mary Astor, Katina Paixou - que voltou para a Grécia natal -, Celeste Holm, Claire Trevor, Jô Van Fleet, Shelley Winters, Rita Moreno, Cloris Leachman, Lee Grant, Dianne West);

  • Algumas nem ligaram para o premio porque já tinham o prestigio do palco (Ethel Barrymore, Wendy Hiller, Margaret Rutherford, Vanessa Redgrave, Maggie Smith, Peggy Ashcroft, Judi Dench);

  • Mas muitas simplesmente não deram certo ( (Mercedes McCambridge, Lila Kedrova, Eileen Heckart, Tatum O´Neal, Beatrice Straight, Mary Steenburgen, Maureen Stapleton - problemas de alcoolismo -, Linda Hunt, Olympia Dukakis, Mercedes Rhuel, Marlee Maltin);

  • Casos raros, poucas viraram estrelas (Anne Baxter, Sandy Dennis - apenas por um tempo para acabar esquecidas -, Goldie Hawn, Merly Streep, Anjelica Huston, Geena Davis, Emma Thompson);

  • Mais comum são as que eram estrelas e acabaram na TV ou pior (Loretta Young, Donna Reed, Gloria Grahame - que acabou esquecida -, Doroty Malone, Shirley Jones, Whopi Goldberg);

  • Outras morreram logo depois (Geraldine Page, Jéssica Tandy).

    Há também outros casos sintomáticos de premiadas que nunca mais conseguiram convencer ou mesmo ter um papel à altura de status. De Cher não se sabe nem o que dizer. Será que desistiu e resolveu apenas ser roqueira-techno? Mas o que dizer da esforçada Mira Sorvino, que foi para a Europa procurar papeis ambiciosos e nunca os encontrou? Pior ainda é Hilary Swank...

    Dentre os homens podemos lembrar dois casos extremos, o muito jovem Timoty Hutton, que ganhou logo na estréia, mas depois perdeu a juventude e o tipo. Agora sobrevive como pode, sem nada de marcante. O caso de Willian Hurt é mais triste porque, depois do Oscar pelo brasileiro "O Beijo da Mulher Aranha", parece ter virado um horrível canastrão, em geral agindo de forma impassível diante das câmeras. Sabe-se que tem problemas com alcoolismo (mais um) e já se conformou em virar coadjuvante (Vide, "Sinais" e "Marcas da Violência")

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